{"id":15044,"date":"2020-10-09T16:04:36","date_gmt":"2020-10-09T19:04:36","guid":{"rendered":"https:\/\/senadorwellingtonfagundes.com.br\/senador\/?p=15044"},"modified":"2022-03-17T09:39:08","modified_gmt":"2022-03-17T12:39:08","slug":"as-extraordinarias-imagens-dos-animais-queimados-no-pantanal-tratados-com-pele-de-tilapia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/senadorwellingtonfagundes.com.br\/senador\/as-extraordinarias-imagens-dos-animais-queimados-no-pantanal-tratados-com-pele-de-tilapia\/","title":{"rendered":"As extraordin\u00e1rias imagens dos animais queimados no Pantanal tratados com pele de til\u00e1pia"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>Pesquisadores do Projeto Pele de Til\u00e1pia foram a Cuiab\u00e1 para ensinar t\u00e9cnica de curativo com pele de peixe, que acelera cicatriza\u00e7\u00e3o da queimadura e diminui a dor dos animais.<\/p><\/blockquote>\n<p>Parece uma cena futurista: um tamandu\u00e1-bandeira, com seus grossos pelos marrons, estende as patas estampadas com&#8230; pele de til\u00e1pia.<\/p>\n<p>O h\u00edbrido, no entanto, \u00e9 de 2020. No ano em que o Pantanal ardeu em chamas e teve diversos de seus animais feridos e queimados, pesquisadores e veterin\u00e1rios se uniram para ajudar esses bichos por meio de uma t\u00e9cnica inovadora e totalmente brasileira.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, um filhote de veado-catingueiro, duas antas adultas, uma anta filhote e um tamandu\u00e1-bandeira adulto j\u00e1 receberam a pele de til\u00e1pia. E uma cobra sucuri e um tuiui\u00fa, a ave-s\u00edmbolo do Pantanal, est\u00e3o na fila para o tratamento.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica, desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC) e do Instituto de Apoio ao Queimado (IAQ), funciona assim: os pesquisadores recebem peles do peixe de \u00e1gua doce &#8211; que normalmente s\u00e3o descartadas pela ind\u00fastria &#8211; de uma piscicultura. As peles s\u00e3o ent\u00e3o desidratadas e esterilizadas, e ficam armazenadas em temperatura ambiente.<\/p>\n<p>Depois, s\u00e3o aplicadas em pessoas ou animais com ferimentos de queimadura, funcionando como um curativo para a regi\u00e3o queimada e ajudando sua cicatriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A pele da til\u00e1pia tem uma camada muito grande de col\u00e1geno, que \u00e9 importante no processo de cicatriza\u00e7\u00e3o da queimadura&#8221;, explica o bi\u00f3logo Felipe Rocha, coordenador da Miss\u00e3o Ajuda Pantanal e pesquisador do projeto Pele de Til\u00e1pia.<\/p>\n<p>Rocha viajou a Cuiab\u00e1, capital matogrossense, ao lado da veterin\u00e1ria Behatriz Odebrecht e do enfermeiro Silva J\u00fanior, especialista em anexo e aplica\u00e7\u00e3o do curativo de pele de til\u00e1pia &#8211; todos do projeto Pele de Til\u00e1pia.<\/p>\n<p>Quando viram as tr\u00e1gicas imagens de animais afetados pelo fogo no Pantanal, os pesquisadores da UFC entraram em contato com a ONG Ampara, que d\u00e1 apoio \u00e0 opera\u00e7\u00e3o de resgate e reabilita\u00e7\u00e3o dos animais no Pantanal.<\/p>\n<p>A ONG aceitou a ajuda, e colocou o grupo em contato com o Hospital Veterin\u00e1rio da Universidade Federal do Mato Grosso, em Cuiab\u00e1, onde a aplica\u00e7\u00e3o das peles de til\u00e1pia seria feita. Ali, o pessoal do Cear\u00e1 come\u00e7ou a treinar, nesta semana, a equipe do Mato Grosso, explicando como se faz a aplica\u00e7\u00e3o do produto na pele dos bichos.<\/p>\n<p>O grupo levou 130 curativos biol\u00f3gicos da pele de til\u00e1pia, o que, segundo seus c\u00e1lculos, deve servir para cerca de 40 animais feridos.<\/p>\n<p>No Brasil, \u00e9 a primeira vez que essa t\u00e9cnica \u00e9 usada em animais silvestres. O grupo da UFC j\u00e1 havia testado a pele em cavalos. Tamb\u00e9m ensinou veterin\u00e1rios da Universidade Davis, na Calif\u00f3rnia, a aplicar a pele em ursos que foram machucados nos inc\u00eandios de 2018 no Estado americano.<\/p>\n<p><strong>Tratamento dos animais<\/strong><\/p>\n<p>A imagem futurista do tamandu\u00e1-til\u00e1pia \u00e9 passageira. Logo, a parte clara, que \u00e9 o col\u00e1geno, ficar\u00e1 incorporado na ferida. A parte escura descascar\u00e1, como se fosse a casca de uma ferida, explica Rocha. E a pele do tamandu\u00e1 e dos outros animais voltar\u00e1 a ter sua apar\u00eancia original.<\/p>\n<p>O pesquisador explica como \u00e9 feito o tratamento: &#8220;Voc\u00ea limpa a ferida, coloca a pele de til\u00e1pia e fecha com gaze e atadura por cima. A pele da til\u00e1pia adere \u00e0 queimadura e deve ficar em contato de 10 a 15 dias na pele do animal sem troca curativa&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O processo convencional seria aplicar pomada de sulfadiazina de prata, que um cicatrizante t\u00f3pico na terapia de queimaduras, com trocas di\u00e1rias de curativo. \u00c9 preciso sedar os animais selvagens toda vez para fazer isso.<\/p>\n<p>&#8220;Se a cicatriza\u00e7\u00e3o do animal demora de 15 a 20 dias, voc\u00ea tem que fazer 15 a 20 curativos durante todo o processo. Com a pele de til\u00e1pia, voc\u00ea reduz o custo de fazer essas trocas di\u00e1rias, reduz a dor do animal e reduz a carga de trabalho da equipe&#8221;, diz Rocha.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, destaca ele, o animal ou a pessoa queimada perde muito l\u00edquido com a queimadura. A pele da til\u00e1pia barra esse processo. Sua parte escura \u00e9 como se fosse uma pel\u00edcula imperme\u00e1vel que impede a perda de l\u00edquido. E ainda cria uma barreira para que microorganismos n\u00e3o proliferem na ferida.<\/p>\n<p>Com isso, a cicatriza\u00e7\u00e3o acelera porque n\u00e3o se manipula tanto a ferida &#8211; al\u00e9m da grande ajuda do col\u00e1geno. Para Rocha, \u00e9 &#8220;emocionante&#8221; ver os animais se recuperando.<\/p>\n<p>O grupo come\u00e7ou a aplica\u00e7\u00e3o das peles de til\u00e1pia nos animais na ter\u00e7a-feira (06\/10). O primeiro animal a receber os curativos foi um filhote de veado-catingueiro. Suas quatro patas estavam queimadas, e os curativos foram colocados ali.<\/p>\n<p>Depois, foi a vez de duas antas grandes adultas e uma anta filhote. Uma das antas, diz Rocha, estava muito mal, sem se alimentar, ap\u00e1tica, sem ir para a \u00e1gua. Sua parte traseira estava bastante afetada. &#8220;Aplicamos nessa anta, e no outro dia ela estava dentro da \u00e1gua. Depois saiu correndo e foi para a \u00e1gua de novo. N\u00e3o vimos o processo de cicatriza\u00e7\u00e3o, mas vimos que o animal j\u00e1 reagiu em termos de comportamento&#8221;, conta. &#8220;A pele de til\u00e1pia diminui a dor do paciente.&#8221;<\/p>\n<p>Depois, um tamandu\u00e1-bandeira recebeu a pele de til\u00e1pia em suas patas.<\/p>\n<p>&#8220;Nas quatro patas do veado-catingueira, n\u00e3o usamos nem meia pele de til\u00e1pia&#8221;, diz Rocha. J\u00e1 em uma das antas, que tinham uma les\u00e3o grande, foram usadas 15 peles.<\/p>\n<p>A cobra sucuri, que dever\u00e1 receber a pele de til\u00e1pia logo, est\u00e1 bastante queimada, diz ele, com exposi\u00e7\u00e3o muscular, e por isso a aplica\u00e7\u00e3o dever\u00e1 ser um grande desafio. &#8220;Mas acreditamos que vai funcionar.&#8221; No tuiui\u00fa, \u00e9 a asa que est\u00e1 queimada.<\/p>\n<p>Para Rocha, ajudar os animais que est\u00e3o sofrendo &#8220;\u00e9 uma enorme satisfa\u00e7\u00e3o&#8221;. &#8220;Ficamos felizes e emocionados por ajudar nesse momento triste do pa\u00eds&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Fonte: <em>Juliana Gragnani &#8211; @julianagragnani &#8211; Da BBC News Brasil em Londres<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Pesquisadores do Projeto Pele de Til\u00e1pia foram a Cuiab\u00e1 para ensinar t\u00e9cnica de curativo com pele de peixe, que acelera cicatriza\u00e7\u00e3o da queimadura e diminui a dor dos animais. 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