O senador Wellington Fagundes comemorou a participação de estudantes indígenas da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) no Congresso Internacional Mundos Indígenas (COIMI), que será realizado entre os dias 25 e 28 de fevereiro de 2026, na Universidade do Estado da Bahia (UNEB), em Salvador.
Criado em 2015, no âmbito do grupo de pesquisa Seminário Permanente Mundos Indígenas, Abya Yala (SEPMIAI), em parceria com a Universidade Nova de Lisboa (Portugal) e a Universidade Federal de Campina Grande, o COIMI tornou-se um dos mais importantes fóruns internacionais de debate sobre povos originários, reunindo pesquisadores, professores, lideranças indígenas, estudantes e ativistas de vários países.
Para o senador, a presença da UFR nesse cenário internacional demonstra que Mato Grosso está na vanguarda quando o assunto é formação superior voltada às comunidades indígenas.
“A Universidade Federal de Rondonópolis mostra que é possível fazer ensino superior com qualidade, respeitando identidades, fortalecendo culturas e preparando lideranças para o futuro”, afirmou Wellington.
Desde agosto de 2024, a UFR oferta a Licenciatura Intercultural Indígena por meio do PARFOR Equidade, com a primeira turma formada por 30 estudantes autodeclarados indígenas. O curso é presencial, integra o Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) e foi estruturado para formar docentes voltados aos anos finais do Ensino Fundamental e ao Ensino Médio em escolas indígenas, com abordagem intercultural, bilíngue e interdisciplinar.
Instalada em uma região próxima a terras indígenas como Tadarimana, a universidade cumpre um papel estratégico na formação de professores que atuam diretamente em seus territórios, ampliando o acesso e a permanência de estudantes indígenas no ensino superior.
Wellington esteve com a comitiva que conta com três estudantes da UFR com trabalhos apresentados no congresso, evidenciando a produção acadêmica construída a partir da realidade das comunidades:
Silvio Hiaulai Peruare, graduando da Licenciatura Intercultural Indígena (PARFOR/UFR), apresentará um relato de experiência sobre aprendizagem, inclusão e interculturalidade no povo Kurâ Bakairi. O estudo articula saberes tradicionais com referenciais pedagógicos contemporâneos, defendendo uma perspectiva decolonial e culturalmente situada na educação especial.
Emanuel Adzowe Tsere Ubute, também graduando do curso, levará ao evento uma pesquisa que analisa como a formação no PARFOR Equidade impulsionou a criação de uma associação indígena voltada à preservação do urucum, fruto sagrado para o povo Xavante, diante das ameaças ambientais e territoriais. O trabalho destaca a relação entre inclusão, autodeterminação e proteção socioambiental.
Marcelo Jorge Zacarias, estudante da mesma licenciatura, apresentará um estudo sobre Educação Especial e Inclusiva em territórios indígenas, resultado de pesquisa-ação desenvolvida na disciplina do curso. O trabalho evidencia a necessidade de formação continuada e de políticas específicas que respeitem os modos próprios de ensinar e aprender nas comunidades.
Os projetos contam com orientação dos professores Ariel Costa dos Santos e Aline Fernanda Ventura Sávio Leite, ambos da UFR, com apoio da CAPES.
Ao destacar a importância da participação dos estudantes no congresso internacional, Fagundes reforçou que o fortalecimento do ensino superior intercultural é também uma estratégia de preservação da identidade e da história dos povos indígenas.
“Um país que investe na educação dos seus povos originários está investindo na própria memória, na diversidade e na riqueza cultural que o torna único. Preservar a cultura indígena não é olhar para o passado, é garantir futuro com identidade, dignidade e desenvolvimento sustentável”, concluiu o senador.



